50 anos de poesia- antonio augusto fagundes
   

ORELHA:


Dentre mais de mil CTGs e agrupamentos congeneres, hoje em ação, alguns se detacam pela prática desportiva - como o "Porteira do Rio Grande" de Vacaria -, outros pelo estímulo à música - como o "Sinuelo do Pago", de Uruguaiana-, e ainda outros pelo interesse em debates de Cultura, como o "Negrinho do Pastoreio", da pequena cidade missioneira de Sâo Francisco de Assis.

Porém, quaisquer que sejam as preferências e rumos particularmente tomados, há na generalidade dos CTGs um certo astral, intrigante, que causa emoção ao iniciado; e, em muitos casos, irritação ao "cola-fina", ao anti-tradicionalista.

Bem que o fenômeno tradicionalista está a merecer maior pesquisa dos eruditos. No entanto, perdura a cortina do silêncio.

Hoje o jovem senhor Salvador Ferrando Lamberty rompe com o silêncio, com o presente "ABC". Ele é um autor pouco conhecido nos próprios meios tradicionalistas. Nos pechamos pela primeira vez no último encontro cultural de São Francisco de Assis. Naquela cidade missioneira ele surpreendeu o auditório ao proclamar, em alto e bom som, que Nheçu seria um líder mais autenticamente nativista do que o celebrado Sepé Tiaraju. Percebi que estávamos diante de uma inteligência inquieta e sincera.

Que essa inquietação e sinceridade sejam também percebidas e louvadas pelo leitor, são os meus votos.

Não tendo entraves de erudição nem o peso de "autoridade", o trabalho de Lamberty vale como um verdadeiro DOCUMENTO, feito de dentro para fora, para expressar as crenças e os sentimentos de um "peão" comum das lidas tradicionalistas.

Multiplicado por milhões, hoje, os tradicionalistas "comuns" -, esse documentos ganha em nossa bibliografia uma dimensão incomum.

Sob tal perspectiva, o "ABC" deve ser recebido com amor, pelo iniciante tradicionalista, e com respeito, pela crítica mais exigente.

Barbosa Lessa