
ORELHA:
No rastro do Boi-barroso
Li esta coletânea de poemas do Rillo, como sempre o fiz: feliz e encantado com a bordadura das palavras. A poesia encanta, mas não encanta no vazio. A forma do poema e o que ele diz se entreveram em uma única composição. O homem e o campo, o sol e a vida, a esperança e a amargura nos fazem partícipes dos momentos dessa poesia.
Poesia é o que se lê nesses poemas. Poesia nomais, sem adjetivos. A poética do Rillo é poética perene e cheia. Poeta consagrado, Rillo produziu livros e poemas para canções que nos embalam o presente e o passado. Por isso não diria que se trata simplesmente de gauchesca. Digo que se trata de poesia gaúcha, brasileira, sul-americana, expressão de mil rincões de mil corações humanos. Nela se misturam, como as formas e os ideários dos textos literários, o concreto-sensorial, o imaginário coletivo e a imaginação de quem produziu os textos e de quem os ler.
Campeando pelos melhores caminhos que podemos ver, construímos todos nosso Destino, o Boi-barroso difícil de achar, que vamos criando à feição de cada um, no jeito de cada qual. A obra que nos chega às mãos nesta coletânea enfeita de luz o brete por onde tranqueamos nessa busca.
Porto Alegre, julho de 2006. Cicero Galeno Lopes