
ORELHA:
A questão da religiosidade popular no Rio Grande do Sul era completamente ignorada pelos cientistas sociais, a ponto de ser praticamente desconhecida.
No entanto, a opulência de fenômenos nessa área é tal que cedo ou tarde haveria de reclamar a atenção dos pesquisadores. O Nordeste brasileiro e o Contestado pareciam deter a primazia das pesquisas no campo das ciências sociais - o Folclore aí incluído. Quando se fala em messianismo, avultam as figuras de Antonio Conselheiro e do profeta São João Maria, sem que se mencione a forte presença deste último em terras gaúchas e a profunda impressão que deixou na religiosidade popular sul-rio-grandense.
As santas-prostitutas não foram nem tão santas nem tão prostitutas, na realidade. A imagem que passam ao povo, ao seu grupo social, porém foi a de uma vida de marginalidade sexual paralelizada por um odor de santidade. Os três casos conhecidos em território gaúcho - e na realidade trata-se de um fenômeno universal que vem desde a bíblica Maria Madalena - foram perfeitamente estudados por Antonio Augusto Fagundes durante o seu curso de Mestrado em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
0 autor do presente trabalho (sua dissertação da final de curso, que Ihe assegurou o grau de Mestre) é figura conhecida na cultura gaúcha, premiado incontáveis vezes como poeta, novelista, compositor, autor e ator de teatro, TV e cinema. Formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e Mestre em Antropologia Social, todos os seus cursos foram realizados na UFRGS. Este é o seu oitavo livro - todos publicados por nossa Editora.