
ORELHA:
No ano de 1626 o jesuíta Roque Gonzalez de Santa Cruz atravessou o rio Uruguai, para fundar a primeira redução em terras gaúchas, era a aldeia religiosa de São Nicolau. Desde aquela data, os missionários não perderam mais de vista as terras sulinas, mesmo antes de serem denominadas Rio Grande do Sul.
As reduções do tape sucumbiram ante as atrocidades das Bandeiras mercantis escravagistas, lideradas pelos paulistas. A partir de 1682, novamente os padres empreenderiam o projeto de catequese dos guaranis, com fundação do povoado de São Borja. Em 1687 eles dilatariam o espaço missioneiro nas plagas rio-grandenses através da criação dos povoados de São Nicolau, São Miguel e São Luiz Gonzaga. Na década de noventa, mais dois foram construídos: São Lourenço (1691) e São João Batista (1697). Finalmente, no século XVII, em 1706, completou-se em solo gaúcho com Santo Angelo Custódio.
Ali, nos conhecidos Sete Povos, parcialmente da totalidade dos Trinta, desenvolveu-se uma experiência "sui generis" de transculturação entre os guaranis e os valores da sociedade européia, filtrados via jesuítas. Os guarani-missioneiros viviam do que semeavam nas lavouras, da criação de gado e lucros no plantio da erva-mate.
Assim, homens e mulheres trabalhavam, até que o Tratado de Madrid (1750) trouxe a turbulência, desencadeada na Guerra Guaranítica (1754-1756). Mas o pior estaria por vir após 1768, quando da expulsão dos tutores jesuítas dos índios missioneiros. Assim, findo os 144 anos, sucumbia tragicamente a experiência missioneira.
Martins Livreiro, Editor