
ORELHA:
Os acontecimentos guerreiros de 1923 no Rio Grande do Sul têm o seu apogeu na ponte do Ibirapuitã, no rude inverno daquele ano. Ali mediram forças o mais prestigiado general maragato e o mais aguerrido comandante legalista. Ao longo de todo ano eles vão se enfrentar em vários pontos do mapa da fronteira oeste do Estado mas o combate da ponte foi decisivo para mostrar ao Brasil e ao presidente Artur Bernardes que os revolucionários não tinham forças para por em cheque o governo o Estado, o qual tinha ao seu lado, além da estrutura do poder, a viação férrea, o telégrafo, a aguerrida Brigada Militar e até mesmo um duro e bem treinado esquadrão de uruguaios. O presidente do Brasil, hostilizado durante a campanha eleitoral pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) teria decretado a intervenção no RS com prazer revanchista, se pudesse argumentar que o governo do Estado perdera o controle da situação. Essa era a grande esperança dos maragatos, mas tal situação nunca ocorreu.
Aqui por primeira vez se conta em detalhes a morte de Guilherme Flores da Cunha e a morte dos irmãos Timbaúva. Por primeira vez se examina em profundidade a presença dos uruguaios de Nepomuceno Saraiva. Por primeira vez, também, se mostra que a degola na revolução de 1923 foi meramente ocasional, nunca sistemática.
Esgotada rapidamente a primeira edição (1982) impunha-se esta segunda edição 21 anos mais tarde. "O combate da ponte do Ibirapuitã" é infaltável em qualquer rio-grandina de respeito.
Antonio Augusto Fagundes chegou a História através do Folclore. Nascido em Alegrete, criou-se ouvindo lendas sobre o combate da ponte, imagens heróicas aureoladas pelo fulgor da lenda. Ao cursar pós-graduação em História do Rio Grande do Sul no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, escolheu como tema de dissertação o sangrento reencontro. O historiador quis conhecer o que o folclorista já conhecia. As estátuas e os monumentos erigidos pelo folclore assim se reduziram a dimensão humana, mostrando os homens daquele tempo como eles eram, cheios de certezas e de dúvidas, de grandezas e de baixezas, de acertos de erros, de luzes e de sombras .Homens, enfim.