
ORELHA:
Aliando um meticuloso labor de pesquisa a uma lucidez interpretativa só presente nos grandes historiadores, o autor nos dá uma obra destinada a se constituir num clássico sobre a formação histórica do extremo meridional do Brasil. Cada capítulo, cada página, cada parágrafo desta História do Rio Grande do Sul testemunham a preocupação de penetrar no âmago dos acontecimentos, não só em função do espaço onde se verificaram, mas ainda procurando explicar seu enraizamento brasileiro e universal.
O primeiro volume, que compreende o período colonial da história gaúcha, é iniciado com o estudo das regiões fisiográficas do Rio Grande do Sul, dos principais grupos étnicos, dos falares regionais, dos usos e costumes.
A narrativa histórica propriamente dita começa com as primeiras referências feitas por viajantes ocasionais ao desolado litoral sul-rio-grandense. Temos, a seguir, o relato da penetração jesuítica em solo gaúcho, bem como dos conflitos entre catequistas espanhóis e desbravadores luso-brasileiros, representados pelos bandeirantes vicentinos.
Nos capítulos "Fundação do Rio Grande", "Criação da Comanda Militar" e "Colonização Açoriana", assuntos sobre os quais correm tantas lendas e interpretações inexatas, é cuidadosamente narrada a epopéia da ocupação e do povoamento da terra, salientando-se a contribuição cultural de açorianos e madeirenses, do índio e do negro, dos contingentes imigratórios posteriores - alemães, italianos, poloneses - para a formação do homem sulino.
A fixação dos limites territoriais do Rio Grande do Sul merece também cuidadosa análise. É uma fase marcada por entrechoques, contradições e por atos de grande transcendência, a exemplo do Tratado de Madri, de 1750. Intenso reflexo vem ter nesta região a política européia, conforme se viu durante a Guerra Guaranítica, onde sobressaem as figuras de Gomes Freire de Andrada e Sepé Tiaraju.
O prolongado conflito entre brasileiros e platinos - período heróico da formação sul-rio-grandense - tem importância decisiva no surgimento do gaúcho como personagem da História do Brasil.
A última unidade do presente volume aborda o desenvolvimento do Rio Grande do Sul às vésperas da independência do País. Ao lado de um rápido progresso econômico, a capitania conhece grande agitação política. O panorama internacional é dominado pela Guerra da Cisplatina, cujo ônus recai, como ocorre com todas as lutas na região, principalmente sobre a terra e o homem sulino.
A primeira parte da História do Rio Grande do Sul, de Guilhermino Cesar, é encerrada com um vasto panorama de cultura sul-rio-grandense durante a época colonial.