Os Melhores Causos de Galpao
   

ORELHA:


Em todo o mundo, desde que o homem é homem o fogo vem proporcionando a cordialidade das relações sociais. No Rio Grande do Sul o fogo de chão galponeiro é uma verdadeira chama votiva, onde estranhos e taciturnos sacerdotes oficiam uma missa crioula.

É nesse ritual que se insere o causo de galpão: oriundos da experiência pessoal de cada um ou causos conhecidos atribuídos a heróis cômicos mais ou menos reais, mais ou menos lendários, como o Candinho Bicharedo, de Uruguaiana ou o Bola Madureira, de Bagé.
Nesses causos, onde brilham a verve e o "non sense" do gaúcho, vem alegrando noites de veladas galponeiras, de acampamentos, de pescaria ou caçada, de rondas de cavalgadas ainda hoje, como animaram no passado os fogões das gestas guerreiras do Rio Grande do Sul; o causo é um dos pontos altos da literatura oral do folclore do nosso estado; ao lado de lendas e mitos, o causo é um manancial de água cristalina que jorra pura e perene da fonte sagrada da sabedoria popular.

Antonio Augusto Fagundes tem quatro títulos universitários, è um homem de cultura e um folclorista de renome; mas quem quiser ver esse gaúcho abrir um sorriso luminoso, que elogie a sua capacidade de contar um causo campeiro; isso, sim, ele gosta de mais; esta coletânea é uma prova do que ele recolheu ao longo da vida pelos fogões e acampamentos; cavalgadas e pescarias; é o gaúcho falando para gaúchos.

E assim entregamos ao público leitor esta antologia que reúne os melhores causos do autor.