Payadas e cantares
   


ORELHA:

Entre papéis e documentos que pertenciam a JAYME CAETANO BRAUN, sua viúva encontrou algumas pastas contendo poesias, diversas inéditas e outras publicadas apenas em discos. Todas entretanto, com aquele acento telúrico que distinguiu a sua obra, a evidenciar que mantinha visceral comunhão com tudo que se relacionasse com sua terra e sua gente.

Graças à vocação ingênita, o poeta deu asas a uma imaginação fecunda e torrencial, produzindo obra extensa mas, sobretudo, valiosa pela originalidade e pelo sentido humano e afetivo. No âmbito da literatura gauchesca, nenhum outro poeta conseguiu, com tamanha naturalidade e tão profundamente, identificar-se com a alma popular. Inexiste rincão deste pago em que seu nome e seus poemas não sejam rememorados quase com veneração. Certamente por isso - afiançada apenas pelo prestígio do seu talento - sua produção intelectual, desafiando os tempos, permanecerá viva e reverenciada.

A fama merecida e o triunfo consagrador, fazendo-o o mais festejado poeta destas plagas, todavia, jamais afetaram a modéstia e a sensibilidade de JAYME CAETANO BRAUN. Esgrimista do verso espontâneo, forjou com maestria a arte da inventiva e do improviso, sempre com sábia simplicidade e profunda generosidade humana; na mais agreste estrofe de uma "payada", soube colocar um ensinamento e uma reflexão.

Ainda que conscientes de que seus versos persistirão através dos tempos, sua morte nos deixou convencidos de que, para determinados homens, a vida é muito pequena.

E, ao empreendermos a publicação dessas PAYADAS E CANTARES, queremos somente contribuir para manter vivificada a saga de "payador" que o saudoso amigo, melhor do que qualquer outro, soube encarnar e viver.