Pensamento Político de Julio de Castilho
   

ORELHA:

Julio Prates de Castilhos nasceu em 29 de junho de 1860, na Fazenda da Reserva, em Vila Rica, hoje município de Júlio de Castilhos. Foi alfabetizado na própria fazenda, transferindo-se, depois, para Santa Maria, onde realizou os estudos fundamentais. Em 1874, em Porto Alegre, foi matriculado no colégio Fernando Gomes, o melhor da Capital do Estado na época, para fazer os estudos preparatórios. Em 1877, matriculou-se na Faculdade de Direito, em São Paulo, onde, em 1879, fundou e dirigiu o jornal político A Evolução. Em 1881, obteve o título de bacharel em Direito. No mesmo ano, com um grupo de acadêmicos de Direito, fundou, em São Paulo, o Clube Republicano 20 de Setembro. Retornou para Porto Alegre em 1882, para instalar sua banca de advogado, dedicando-se também ao jornalismo e à carreira política.
Em 1883, já com inegável liderança, organizou e participou do I Congresso do Partido Republicano, realizado em Santa Maria, onde foi escolhido redator do futuro jornal A Federação, cargo que não aceitou. No mesmo ano, casou-se com a senhora Honorina Costa, com quem teve seis filhos.
Em 1884, passou a dirigir A Federação, órgão do Partido Republicano Rio-Grandense. Desenvolveu ativa campanha abolicionista e, em 1885, no III Congresso do Partido Republicano, foi eleito presidente do partido, com 25 anos de idade. Em 1886, em nível nacional, cresceu o prestígio do jornalista Julio de Castilhos. No mesmo ano, A Federação desencadeou a Questão Militar que teve profundo impacto sobre as alianças políticas do Império. Em março de 1889, sob sua liderança, um grupo de republicanos se reuniu na Fazenda da Reserva, firmando o compromisso extremo pela República. Em 15 de novembro, com 29 anos de idade, assumiu como Secretário do Governo Republicano Provisório do Marechal Câmara.
Em julho de 1890, seguiu para o Rio de Janeiro, para exercer o mandato de Deputado, como representante eleito do Rio Grande do Sul à Constituinte Nacional. No mesmo ano, foi designado Presidente do Estado, cargo que não aceitou, mas assumiu a Superintendência dos Negócios do Interior. No ano seguinte, redigiu o projeto da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul, aprovado em 14 de julho, ocasião em que foi eleito, pela Assembléia Constituinte, Presidente do Estado. Em novembro, renunciou à Presidência do Estado, quando foi substituído por uma junta de Governo. Retornou ao governo em 17 de junho de 1892, mas renunciou e o passou ao Vice-Presidente. Em setembro do mesmo ano, tomou assento no Congresso Federal. Com a eleição estadual de 20 de novembro de 1892, foi eleito, pelo voto popular, Presidente do Estado, sendo empossado solenemente a 25 de janeiro de 1893. Começa, então, o movimento armado de reação ao governo de Julio de Castilhos, a chamada Revolução Federalista, que só terminou no final de agosto de 1895. Declarada a paz, encerrou seu mandato em 1897, entregando a Presidência do Estado, em janeiro de 1898, a Borges de Medeiros, ocasião em que voltou a se dedicar ao jornal A Federação.
Julio de Castilhos afastou-se do governo, mas permaneceu político atuante na orientação do Partido Republicano Rio-Grandense.
Faleceu, aos 43 anos, vitimado por um "mal na garganta", no dia 24 de outubro de 1903, em sua residência, na Rua Duque de Caxias, número 199 (atual Museu Julio de Castilhos, número 1231).
No ardor de sua juventude, na luta e na fidelidade por seus ideais, Julio de Castilhos foi exemplar. Suas últimas palavras, antes de morrer, foram simbólicas: "...Não preciso de coragem, é de ar que eu preciso.".
Este livro é a homenagem que a Assembléia Legislativa e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul prestam ao líder Julio de Castilhos por ocasião do centenário de sua morte.